sábado, 3 de setembro de 2011

PORTUGALIZA – Um Grande Portugal

                A união de Portugal e Galiza (Galícia)

Há algum tempo que venho pesquisando sobre este assunto e está sendo postado devido à solicitação de alguns amigos, já que havia iniciado e prometido a postagem neste blog. Entretanto, o será de forma bem resumida e este abrange aspectos políticos de dois países: Espanha e Portugal.
A quantidade de material recolhido é enorme, envolve os interesses de um povo, mais precisamente a Galícia e o norte de Portugal, e passar a idéia do papel para um blog na internet é complexo e leva um tempo consideravelmente grande, já que se quer resumir ao máximo, envolver o lado brasileiro sem compromete-lo e principalmente evitar erros sobre este assunto polêmico.

                                                

A grande maioria dos brasileiros desconhece, mas tem o direito de conhecer, já que indiretamente tem seus traços lingüísticos e culturais vindos da Galícia. Isto se pode perceber através do nosso idioma (origem galaico-português), tradições gastronômicas, das músicas e danças. Mas os sobrenomes encontrados no Brasil são fundamentais para que se possa afirmar esta origem: Abreu, Araújo, Alvim, Amorim, Braga, Barros, Barroso, Chaves, Castro, Caldas Campos, Costa, Cunha, Feijó, Figueiredo, Fonseca, Gonçalves, Guimarães, Linhares, Lira, Mascarenhas, Magalhães, Medeiros, Mesquita, Moraes, Moreira, Montenegro, Oliveira, Prado, Pereira, Portugal, Quintanilha, Ribeiro, Souza, Sá, Sequeira, Teixeira, Veiga, Vigo... e muitas outras centenas de sobrenomes.

A Galícia é uma Nação constituída em Comunidade Autônoma Espanhola (no Brasil chamar-se-ia de Estado), com quase três milhões de habitantes num território de 29574 km quadrados e formada pelas principais cidades de Vigo, Curunha, Lugo, Ourence, Pontevedra e a capital Santiago de Compostela. De um lado está o Oceano Atlântico e o Mar Cantábrico, ao sul Portugal (Minho e Trás-os-Montes) e ao leste a Espanha (Principado das Astúrias - que também se consideram galegas junto com uma pequena parte de Castela e Leon).


Os idiomas oficiais são o galego e o castelhano (espanhol), sendo que este último foi imposto por diversas causas políticas. Alguns espanhóis afirmam que o idioma galego não tem consenso com a língua portuguesa. Afirmação esta absurda já que no acordo ortográfico de 2003 é referenciado ao português como critério utilizado ao elaborar a norma. Mais correta é a tese de que as línguas portuguesa e galega nunca se separaram sendo apenas uma variante tal como o português de Portugal e o falado português no Brasil.  

Para se ter uma idéia melhor, segue um trecho do livro “Ante a Terra e o Céu”. O primeiro trecho está escrito em português e em seguida as traduções para o galego e castelhano:
Português:
“Existe entre o galego e o português tão estreita afinidade que quanto mais o português é o português e o galego é o galego mais se vê a semelhança”
Galego:
"Existe entre o galego eo portugués tan estreita afinidade que canto máis o portugués é o portugués eo galego é o galego máis se ve a semellanza
Castelhano (espanhol):
Hay entre el gallego y el portugués tan estrecha afinidad que a medida que el portugués y el portugués y el gallego, el gallego más uno ve la semejanza

Como um fato ilustrativo e curioso para os brasileiros, abaixo tem um vídeo, gravado de um celular (telemóvel), onde o artista brasileiro Caetano Veloso, no meio de uma apresentação em Santiago de Compostela, declara estar falando em português porque o seu idioma é o galaico-português, o que é imediatamente aplaudido. E depois ironicamente traduz para um castelhano muito bem falado, o que causa gargalhada na platéia. Este gênio das artes encontrou um jeito para dar um tapa com luvas de pelica nos espanhóis que insistem em considerar o galego como um dialeto espanhol.


                                                                                          (vale apena ver)   

Depois desta, os brasileiros já podem incluir nos seus currículos profissionais: “Idiomas: inglês básico e galego fluente”.

A união de Portugal e Galícia


Para que se possa entender melhor esse desejo dos galegos se separarem da Espanha e se juntar a Portugal há de se voltar na história.

Portugal se tornou independente em 1143 o qual fazia parte integrante do reino da Galícia. Cada reino seguiu seus caminhos, sempre como duas nações amigas e irmãs gêmeas da mesma placenta, mas Portugal sempre fora o destino migratório dos galegos. Portugal continuou crescendo para o sul, até o Algarve, vieram as conquistas, as descobertas além-mar e junto grande parte dos descendentes galegos espalhando pelo mundo afora a sua cultura, onde ainda hoje é fortemente visível no Brasil. Os séculos se passaram e em 1833 o Reino da Galícia se dissolveu e a Espanha se apoderou sem motivos aparentes ou razoáveis. Até o momento vem num processo de castelhanização a nível social, cultural e lingüístico sob o comando de Madri. Mas, a Galícia não sede a este processo e se mantém como está.


Ponte entre o Minho e Galícia

                                                                                  
Santiago de Compostela
É fartamente divulgado pela internet que os galegos não se reconhecem como espanhóis e há o interesse de se unirem a Portugal geograficamente e justamente pelas questões históricas, lingüísticas, sociais e culturais. Há a candidatura na Unesco para preservar este patrimônio imaterial, que lá no fundo é um passo para, posteriormente, se tornarem parte integrante de Portugal, e para isto já o chamam de PORTUGALIZA, um grande Portugal.

Bandeiras e Mapa de Galicia e Portugal

Futuro mapa de Portugal, ou Portugaliza

Assim como a Galícia (Galiza) existem outras partes da Espanha que pretendem se separar. Como por exemplo a Catalúnia (Catalunya), capital Barcelona, que mantém o seu idioma, o catalão, firme e forte (inclusive nas Olimpíadas de Barcelona foi o idioma oficial e não o espanhol). E ainda, para cada bandeira espanhola hasteada é visível cinqüenta catalãs. A sua autonomia aumenta gradativamente ao ponto do status de uma nação dentro da Espanha. Há também o País Basco, que apesar do nome ainda não é um país, mas é o povo mais antigo da Europa. Tem como idioma oficial o euskera existente a quatro mil anos, no mesmo lugar, e brigam pela sua independência de forma violenta com o movimento nacionalista ETA, considerado terrorista pela União Européia e USA. O que não é o caso da Galícia que caminha pacificamente com racionalidade ,mas deixam suas marcas.


São milhares de pixações manifestando o desejo dos galegos


E se você é brasileiro e acredita que esta questão não vai muito longe, veja o vídeo abaixo de uma musica brasileira e preste bem atenção na letra.




Espero ter sido útil trazendo esta informação.
Caso não consiga postar o seu comentário, pode faze-lo através do e-mail: luis.goncalves02@bol.com.br 

Abraço a todos.

 Esta crônica foi postada enquanto degustava um excelente
Vinho do Porto ... ou será Vinho Galaico-Português?

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A XOTA GALEGA É IGUAL A BRASILEIRA

Alguns até poderiam dizer que as xotas são iguais em qualquer lugar do mundo, mas essa afirmação não seria verdadeira. Se bem que, uma boa xota é sempre muito bem apreciada seja em que parte do mundo for. Porém, o mundo é muito grande e as xotas acabam por se diferenciar seja pelo uso da língua ou outras introduções. Mas uma coisa é certa: “a  xota galega é muito parecida com a brasileira”.

Ficar só falando da igualdade das xotas não vai levar a lugar algum. O negócio é mostrar as variedades de xotas e deixar o leitor apreciá-las.





A xota é uma dança e gênero musical defendida por boa parte penisular. O nome vem do espanhol “jota” (mas, a pronúncia é a mesma: xota), derivado do latim que significa saltar, dançar ou manifestação espontânea de alegria.

Em Astúrias, também na Espanha – junto a Galícia, vê-se que a tradição é semelhante e para quem está no Brasil pode até confundir com a dança típica portuguesa.





Em Portugal a dança é muito semelhante a xota galega. A variante costuma-se marcar através de golpes com os pés as mudanças a passeio ou mudanças de ponto.



O norte de Portugal, que historicamente fazia parte da Galícia, mantém até os dias de hoje as tradições folclóricas e é responsável por grande parte da cultura brasileira e que fixou, também, a sua lingüística, o galaico-português.
No Brasil pode-se ver claramente a introdução das danças portuguesas originárias da xota galega, muito conhecido como “xote nordestino”.



É certo que esta dança nordestina foi trazida pelos portugueses, sofreu forte influência indígena, mas a origem galega é tão grande que o nome quase se manteve... de xota passou para xote. Também, com este mesmo nome, chamam-se algumas danças típicas do sul brasileiro, o xote gaúcho.

Uma breve observação:
Na estatística de acesso deste blog foi verificado que 30% são oriundos dos EUA, Portugal, França e Alemanha, então que fique registrado para estes leitores que “xota” no Brasil é um dos apelidos dados a genitália feminina. O título e a introdução humorada foram para chamar a atenção, mas o conteúdo faz parte de uma pesquisa de quase dois anos que constará das próximas postagens deste blog. É sobre o assunto polêmico “Portugalicia”, ou seja: a separação da Galicia e Astúrias do reino espanhol, livrando-se do comando de Madri e incorporando-se a Portugal, de onde nunca desejaram se separar.

E fica aqui um trecho da música-hino Galicia e Portugal cantada por crianças e adolescentes, os futuros responsáveis por esta união.
Percebam que o idioma é o galego e que está mais para o português do que para o castelhano (espanhol).



"Ouvi ao longe milheiros de vozes
Sentí mais perto Galicia e Portugal
Passei a ponte e trouxe uma flor
Do outro lado do rio está o meu amor"


Um abraço a todos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

OS QUINTOS DOS INFERNOS

Muitas são as vezes em que nos dá a vontade de mandar alguém para o quinto dos infernos. Mas afinal, onde fica o quinto dos infernos?

A princípio acredita-se ser próximo de onde o Judas perdeu as botas. Tendo como base a história, Judas Iscariotes atormentado pelo remorso enforcou-se sem as botas onde provavelmente estariam escondidos os 30 dinheiros que havia recebido pela traição. Diante desta cena os soldados se empenharam na busca dessas botas. Daí prá frente a história é omissa e nunca saberemos se acharam ou não as botas de Judas, mas a expressão atravessou os 20 séculos. Então, a hipótese de que o quinto dos infernos fique próximo de onde "Judas perdeu as botas", fica descartada.


Se olharmos pelo lado religioso, sabe-se que várias religiões admitem graduações infernais e o quinto seria uma delas. Mas, nestas religiões o 5º não tem nada de especial. No Islã, por exemplo, o 7º inferno é o pior de todos e é reservado aos hipócritas. No bramanismo são 16, mas não segue ordem de rigor ou punição. Nem no budismo que são 18 infernos, o 5º tem destaque. Já no livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, afirma que só há um inferno e com o detalhe que no portal da entrada tem os dizeres: “Deixai aqui todas as esperanças, vós que entrais”. Como Dante soube deste detalhe interessante, ninguém sabe dizer.

Se formos analisar pelo lado da linguística, as duas fontes básicas da nossa cultura (a herança greco-romana e judaico-cristã), o termo estaria presente em todas as línguas européias. Mas isto só ocorre no idioma português. Então, isto deve estar na história do Brasil, que era o quinto reino de Portugal.
No século XVIII, no Brasil Colônia, era cobrada taxa, pelo colonizador, de 20% (1/5 - um quinto) sob a extração do ouro. Coisa que Tiradentes considerava um absurdo. Do outro lado, em, Portugal, a visão que se tinha do Brasil era que ao chegar nestas terras havia a possibilidade de serem atacados por índios ou serem comidos por cobras e jacarés, ou seja: uma coisa arrepiante, um verdadeiro inferno de horrores. E por isso o Rei se dirigia aos cobradores com o termo: “Vá buscar o quinto dos infernos”. E quando os navios chegavam à Portugal com os impostos, gritavam: “Lá vem o quinto dos infernos”.

Será que Tiradentes estava tão certo assim quanto aos 20% pagos como impostos? A história mostra que o seu sonho se realizou: veio a independência, em seguida a proclamação da República... a extinção do “quinto dos infernos”. Pois é, hoje paga-se em torno de 38% de impostos, quase o dobro daquela época, um verdadeiro inferno.



Esta é a hora de mudarmos tudo isso... Quando alguém quiser ofender algum político que diga:

“Vá para os dois quintos dos infernos..!”

Será que é lá onde estão as botas de Judas com os 30 dinheiros?

Obrigado a todos e um abraço.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Viva o Zé Pereira... Viva o Zé Pereira... Zé Pereira é do Carnaval...

Na crônica anterior fiz questão de criticar a memória do brasileiro e o descaso internacional quanto aos talentos que este País possui ou deixaram marcas na história. Ironicamente citei Santos Dumont sem atribuí-lo ao invento do avião, já que o mundo todo acha que foram os irmãos norte-americanos. E atribuí, sim, ao relógio de pulso cujos brasileiros acreditam que tenha sido ele, o que não foi.  E, talvez por este motivo, recebi algumas dicas para comentar sobre algo reconhecidamente brasileiro, ou seja: os blocos de rua e o carnaval.

Recentemente pude apreciar in locun as Marchas Populares de Lisboa (também forte expressão em Setúbal e arredores) que ocorrem nas festas do mês de Junho e são desfiles populares ao som de marchas populares, como o nome já diz. A princípio julguei ter origem brasileira por se parecer um pouco com os desfiles das Escolas de Samba, com julgamentos de fantasias, músicas e outros quesitos. Esta possibilidade foi imediatamente descartada já que esta tradição portuguesa remota do século XVIII.

É certo que o carnaval no Brasil é oriundo do entrudo trazido pelos imigrantes portugueses onde vítimas dos festejos eram atacadas por baldes d’água, cinzas e lama. O Entrudo se prolongou pelos séculos e há relatos que afirmam que D. Pedro I e D. Pedro II também eram adeptos às folias, só que mais civilizados, usavam limões-de-cheiro e farinha. Mais tarde tudo isso substituído por confetes e serpentinas. Mas se o entrudo durasse até os dias de hoje, alguns políticos seriam atacados por estrume, não por serem políticos, mas sim para fertilizar as idéias da “Reforma Agrária”.

                                    

É certo também que a “Escola de Samba”, com este título, surgiu em 1928 por Ismael Silva numa roda de amigos, próximo a Escola Normal do Rio de Janeiro, com o célebre pensamento: “Se quem ensina às crianças é chamado de professor, nós que sabemos tudo de samba, também somos mestres, e formamos a Escola de Samba”. O primeiro bloco de rua a se tornar Escola de Samba foi o “Deixa Falar”.


Mas na verdade tudo começou com o português José Nogueira de Azevedo Paredes, dono de uma sapataria na rua São José – Rio de Janeiro. Foi em 1846 que resolveu juntar alguns amigos patrícios e sair pelas ruas tocando bombos e tambores dando origem ao primeiro bloco de rua. 43 anos depois e ainda demasiadamente popular foi licenciado pela polícia do Rio de Janeiro em 1889. Era o Bloco do Zé Pereira, que se estendeu por muitos anos e lembrado até os dias de hoje.

Viva o Zé Pereira! Viva o Zé Pereira ! Zé Pereira é do Carnaval ! Lembrado até os dias de hoje.




Bem, então fica esclarecido que os blocos carnavalescos têm origem no Brasil, mas foi criado por um português. E para que não fiquem dúvidas quanto aos nomes José Nogueira diferenciar de  Zé Pereira, é que em Portugal qualquer grupo que inclua tocadores de bombos chama-se “Zé P’eira”.

Para concluir fica um trecho do livro "Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro" escrito por Vieira Fazenda publicado em 1904 que cita o inventor do bloco de rua: “...recordando com alguns patrícios portugueses resolveu de súbito com eles sair às ruas ao som de zabumbas e tambores dar uma passeata pela cidade aglomerando multidões de foliões, repetindo assim por vários anos seguintes com batidas  de tambores e bombos e sempre com o tradicional:  VIVA O ZÉ PEREIRA... O ZÉ PEREIRA É DO CARNAVAL...”

quarta-feira, 20 de julho de 2011

INVENÇÕES BRASILEIRAS E O DESCASO

Outro dia eu estava futucando o controle da TV e um programa do SBT (Ratinho) me chamou a atenção, sobre um jogo de perguntas do tipo falso ou verdadeiro e por acaso uma pergunta me chamou a atenção: “O italiano Guglielmo Marconi foi o inventor do rádio”. Imediatamente gritei bem alto: FALSO!!!. Para a minha surpresa a resposta era “VERDADEIRO”. Fiquei muito indignado e só não quebrei a TV porque ainda estou pagando as prestações.
Posso até aceitar que os brasileiros não conhecem os grandes inventores do seu País, mas uma emissora de TV colaborar com isto, eu não aceito. O problema principal é que colocam qualquer um para trabalhar nessa área dita como fonte de cultura.
Com certeza eles nunca ouviram falar do brasileiro Padre Landell de Moura(*1), que por acaso é o inventor do rádio e também projetou a televisão. A direção do programa talvez não saiba que a primeira transmissão de um radiotransmissor foi feita em São Paulo entre o bairro de Santana e a Av. Paulista (8 km) e que fora registrado por toda a imprensa, patenteado no Brasil e nos EUA, isso em 1872. Somente dois anos depois, em 1874, é que Marconi, na Itália, mostrou o seu protótipo.  E para monstrar que os brasileiros não conhecem os seus “gênios” e valorizam os estrangeiros, existe apenas uma rua com o nome do inventor do rádio: rua Padre Landell de Moura, no bairro de Vila Formosa em São Paulo e 3 ruas com o nome de Guglielmo Marconi, em Curitiba, Osasco e Taubaté.
      
Bem, pelo menos os Correios lembraram e criaram neste ano de 2011 um selo comemorativo aos 150 anos do nascimento do inventor do rádio, o Padre Landell de Moura.

Outra injustiça que o Brasil comete contra os seus talentos, ou talvez abusar da falta de memória, é sobre outro padre brasileiro que inventou a máquina de escrever. Pois é... foi o Padre Francisco João de Azevedo (*2) quem exibiu na Exposição Geral do Império, no Rio de Janeiro em 1861, a primeira máquina de escrever, onde recebeu a medalha de ouro dentre milhares de objetos apresentados. No ano seguinte na Exposição Internacional de Londres o Padre Azevedo não pode expor o seu invento porque não tinha espaço para este brasileiro nascido na Paraíba. Desiludido, o padre envelheceu vendo o seu invento sendo copiado por estrangeiros. Esqueceram a patente brasileira e deram como inventor da máquina de escrever ao norte-americano Willian Burt, muito estranhamente, 32 anos depois, em 1893, e mesmo assim numa reconstrução pós-morte. O que também não faz muito sentido porque em 1874, 9 anos antes, outro plagiador norte-americano Cristofer Sholes vendeu a patente de um modelo idêntico ao do brasileiro à fábrica Remington que dispenso comentários quanto ao sucesso.

Já que estou falando em padres, também quase foi esquecido o Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (*3), nascido em Santos. Desde muito jovem já era mundialmente famoso pela inteligência extraordinária, é considerado a mais bela página da aeronáutica mundial ao inventar e patentear o aeróstato (balão de ar quente), que foi demonstrado no Terreiro do Paço em Lisboa em 1709. Porém, dois anos antes havia registrado outro invento: fazer subir água a toda distância e a qualquer altura, sendo a primeira invenção atribuída a um brasileiro. E o mais interessante foi outro invento deste brasileiro, registrado na Holanda em 1713, de uma máquina para drenar água dos navios. Esta patente só veio a público em 2004 quando na ocasião da vinda da Espanha dos restos mortais do Padre Bartolomeu de Gusmão para a Catedral Metropolitana de São Paulo.


Existem muitos outros gênios brasileiros desconhecidos do próprio brasileiro. Como um bom exemplo Manoel Dias de Abreu(*4) (abreugrafia – 1936 , conhecida Rao X do pulmão) que fora indicado cinco vezes ao prêmio Nobel. Temos também o Júlio Cesar Ribeiro de Souza(*5) que inventou e patenteou o dirigível em 1880, mas estranhamente atribuído o invento a Charles Renard e Arthur Krebs, numa patente na França 3 anos depois. Temos ainda o Hercules Florence(*6), francês radicado em Campinas que inventou a fotografia em 1832 e se desiludiu quando foi atribuído o invento da fotografia aos franceses Daguerre e Niépse três anos depois. Não podemos deixar de comentar também sobre Nélio Nicolai(*7) que inventou o bina ou identificador de chamadas telefônicas em 1982, o que espero não ficar desconhecido como os outros.

Mas nem tudo está esquecido pelos brasileiros. O mais conhecido internacionalmente inventor brasileiro: Alberto Santos Dumont(*8), o inventor do relógio de pulso.


Bravo! Bravo! Heeeeeeeee!! Brasil! Brasil! Brasil!!!


Nota: Acabo de consultar o Wikipédia para ter a certeza deste invento e lá consta que em 1814 o relojoeiro Abraham Breguet fez o primeiro relógio de pulso sob encomenda de Cardina Murat, irmã de Napoleão Bonaparte. Também atribuído o invento a Athoni Patek e Adrien Phillipe em 1868. Cita o Wikipédia que Santos Dumont é apenas o responsável pela popularização do relógio de pulso e afirma que foi o seu amigo Louis Cartier quem o presenteou em 1904 e mesmo assim como modelo feminino.


Pelo andar das coisas é melhor continuarmos brigando pela rapadura(*9) que foi patenteada em 1989 na Alemanha e 1995 nos EUA pela empresa Rapunzel Naturkost o que obriga o Brasil a pagar os justos e merecidos royaities ao estrangeiro dono da marca.

Afinal... “a rapadura é doce, mas não é mole não”.

Obrigado a todos e que tenham um dia bem doce.



*1 – Padre Landell de Moura – (1861 – 1928) nascido em Porto Alegre - RS
*2 – Padre Francisco João de Azevedo – (1814 – 1880) nascido na Paraíba
*3 – Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão – (1685 – 1724) nascido em Santos –SP
*4 – Doutor Manoel Dias de Abreu – (1894 – 1962) nascido no Rio de Janeiro
*5 – Julio Cezar Ribeiro de Souza – (1843 – 1887) nascido em Acará –PA
*6 – Antonie Herculle Romuald Florence – (1804 – 1899) nascido em Nice –FR e radicado no Brasil com o nome de Hércules Florence
*7 – Nélio José Nicolai – nascido em 1940 em Belo Horizonte –MG
*8 – Alberto Santos Dumont – (1873 – 1932) nascido em Palmira –MG (hoje município de Santos Dumont)
*9 – Rapadura – Doce secular do nordeste brasileiro de origem ainda em dúvidas: Açores (PT) ou Canárias (ES)



quarta-feira, 13 de julho de 2011

A BANDEIRA E O BRAZÃO
Muitas são as dúvidas quanto a verdadeira história sobre a Bandeira do Brasil. Mas uma coisa é certa: me ensinaram errado.
Não queria acreditar quando soube que o verde NÃO representava as matas virgens nem o amarelo o ouro do Brasil. Ensinaram-me como se já estivessem prevendo o futuro: “vamos desmatar tudo e fazer um estacionamento prá Copa...”. “cadê o ouro? O gato comeu?”. Como é que pode ser o verde representar Portugal (Casa de Bragança – dinastia D. Pedro I) e o amarelo representar a Áustria (Casa de Habsburgo – dinastia de D. Leopoldina).  Talvez se tivessem me explicado, lá no passado, quando eu ainda era criança, que a atual bandeira brasileira é uma simples modificação do Raimundo (*1) em cima da anterior quando ainda era império, e criada pelo francês Debret (*2), eu não ficaria tão surpreso. Como não existe nenhum documento alterando a representatividade do verde e amarelo, permanece a existente.
                                

Mas a surpresa maior foi constatar que o azul não representava o céu deste Brasil varonil e sim o céu da cidade do Rio de Janeiro. E o mais interessante: com dia e hora marcada (08h30min do dia 19 de novembro de 1889). E por favor, não me venham com reclamações, porque este está escrito lá no Decreto nº 004 de 19/11/1889. E também não venham me dizer que isso é muito antigo, porque a alteração mais recente foi a Lei 8421 de 1992, onde esta alteração só especifica a inclusão de mais estrelas, o resto permanece!!!

E por falar em estrelas... Aquela professora que me ensinou que a estrelinha solitária, acima da faixa branca, representava a capital brasileira deveria ela voltar para a escola e aprender que o Estado do Pará não é a capital do Brasil. Agora venhamos e convenhamos: é uma sacanagem com o Estado do Espírito Santo ser representado pela estrela com o nome de “Intrusa”. Eu até entendi a piada, mas é uma brincadeira de mau gosto, isso é.


E já que este assunto está em pauta, não poderia deixar de citar o Brasão de Armas do Brasil, que, aliás, eu acho muito bonito. Este Brasão vem sempre estampado em documentos oficiais e de fé pública. Ao centro aparecem as cinco estrelas do Cruzeiro do Sul (*3) representando os cinco principais Estados: acima de todos a BA por onde tudo começou, a esquerda MG trazendo as riquezas minerais, a direita como braço forte o RJ, em baixo vem SP sustentando o progresso... e lá no meio, a menor delas o ES com a Intrusa (continuo achando de mau gosto a piada). Sem desmerecer a importância, em volta, com as estrelinhas bem discretas e quase imperceptíveis, vem o resto do país.
Na minha opinião este brasão merece uma atenção política. Já que os políticos estão muito preocupados em criar leis que proíbem fumar até na varanda da sua residência e, por incrível que pareça nos pátios das rodoviárias, para evitar a poluição, enquanto que outros querem a liberação da maconha. Deveriam então retirar o ramo de tabaco (*4) que está do lado direito do brasão. É isso mesmo, os políticos deveriam substituir, não por um ramo de maconha (*5), mas por ramo de soja representando o alimento, cana de açúcar o combustível ecológico ou talvez por um ramo de capim. Tenho certeza de que o povo irá interpretar o ramo de capim como o avanço da pecuária brasileira e não como autopromoção de alguns políticos.

Abraço a todos

*1 – Raimundo Teixeira Mendes - criador da atual Bandeira do Brasil
*2 – Jean-Baptiste Debret – criador da Bandeira do Brasil império
*3 – Cruzeiro do Sul – formado pelas estrelas Gacrux, Pálida, Mimosa, Acrux e Intrometida
*4 – N.Tabacum – originária da América do Sul e matéria-prima do cigarro.
*5 – Maconha – planta cannabis, proibida por ser droga psicoativa, alucinógena e 70% mais hidrocarbonos cancerígenos que o tabaco.